Era uma vez, lá na Judeia, um rei. Feio bicho, de resto: Uma cara de burro sem cabresto E duas grandes tranças. A gente olhava, reparava, e via Que naquela figura não havia Olhos de quem gosta de crianças. . E, na verdade, assim acontecia. Porque um dia, O malvado, Só por ter o poder de quem é rei Por não ter coração, Sem mais nem menos, Mandou matar quantos eram pequenos Nas cidades e aldeias da Nação. . Mas, Por acaso ou milagre, aconteceu Que, num burrinho pela areia fora, Fugiu Daquelas mãos de sangue um pequenito Que o vivo sol da vida acarinhou; E bastou Esse palmo de sonho Para encher este mundo de alegria; Para crescer, ser Deus; E meter no inferno o tal das tranças, Só porque ele não gostava de crianças. . .
in "Antologia Poética", Ed. autor
de Miguel Torga
Espero que este Natal seja sinónimo de alegria, conforto e, sobretudo, renascimento. Dizem por aí que Natal é quando o Homem quer. Pois bem, queiramos que o seja pelo menos neste dia, já que me parece que é esquecido frequentemente.........
O frenesim das compras, dos presentes de Natal! Que dar à mãe, que dar ao pai, que dar ao filho, que dar ao marido...
Parar é o melhor remédio!
É grande o calor que um pequeno presente como um sorriso ou um simples abraço podem trazer. Dediquemo-nos às pequenas coisas boas que o frio acolhedor do Natal nos traz, dediquemo-nos a estar com o outro só 5 minutos. Provavelmente será aí que o presente de Natal que tanto esperamos esteja: no seu olhar, no seu sorriso, nos nossos corações...